4 diferenças entre a escola montessoriana e a escola regular

Tempo de leitura: 6 minutos

A escola montessoriana corresponde a um conjunto de práticas e recursos criados no início do século passado pela psiquiatra e educadora italiana Maria Montessori. Hoje, o método está presente em milhares de escolas ao redor do globo.  

Mas o que exatamente diferencia a escola montessoriana do ensino regular? Como essas duas correntes enxergam e praticam a educação?    

Apesar de ambas propostas serem empregadas na educação infantil, há profundas diferenças na maneira com que a aprendizagem acontece, no papel que os educadores desempenham, na composição dos materiais didáticos e no posicionamento do aluno frente a seu desenvolvimento.

Nosso propósito, aqui, é mostrar a você como a escola montessoriana se destaca em todos esses quesitos. Confira!

1. O conceito de educação

Para começar, vamos entender o que difere a educação montessoriana da tradicional.

No ensino tradicional, educar é sinônimo de “transferir conhecimentos formais”. As aulas são planejadas para que o professor exponha uma quantidade pré-determinada de conceitos, regras e teorias aos alunos, que devem, então, memorizá-las.

Assim, o conhecimento é passado do professor aos alunos, cujas vivências não são levadas em consideração nesse processo. De fato, cada criança é tratada como um recipiente a ser preenchido e moldado pela carga de informações expostas em sala de aula. No ensino tradicional, portanto, a aprendizagem é padronizada. É o aluno que precisa se adequar ao modelo vigente, à média da turma e ao ritmo ditado pelo professor.

No método Montessori, educar vai muito além de ensinar conteúdos prontos, englobando o desenvolvimento holístico da criança, que amadurece social, emocional e intelectualmente. Nele, a memorização de conteúdo é apenas uma das habilidades desenvolvidas e valorizadas.

Na época de sua publicação, os estudos e o método de Maria Montessori revolucionaram a educação infantil, pois promoveram a criança à protagonista do próprio aprendizado, sendo o processo evolutivo fruto de sua interação com o ambiente.

Na escola infantil que aplica o método montessoriano, a aprendizagem não é padronizada e ocorre a partir das vivências de cada aluno.

2. O papel da criança

A educação montessoriana resulta em uma postura ativa por parte da criança, enquanto a aprendizagem acontece de dentro para fora, de acordo com seu ritmo e interesse.

Essa dinâmica, por sua vez, é incentivada pela organização da sala de aula e pelos próprios recursos lúdicos, elaborados para estimular múltiplas funções cerebrais simultaneamente, sendo chamados, por esse motivo, de materiais sensoriais. Ao interagir com o brinquedo de sua escolha, a criança aprende por meio do toque, da percepção do peso e da textura, bem como da visão e da audição.   

Assim, a maturação das habilidades e competências acontece de forma orgânica e natural. À criança, é dada não só a autonomia para escolher, mas também responsabilidade sobre suas escolhas, como manuseio e devolução do material. Todas essas ideias e práticas emanam da base do método montessoriano: a auto-educação.

Na educação infantil tal qual praticada nas escolas regulares, esse processo ocorre segundo os direcionamentos do professor; as crianças dependem do aval dessa figura para iniciarem as atividades, nas quais a turma toda se envolve ao mesmo tempo. Os alunos vão criando um vínculo de subordinação a uma autoridade que, mais tarde, torna-se difícil de romper.

Quando há evolução, ela é imposta, pois não parte do aluno ou de seu engajamento com o material/tarefa, e sim do direcionamento do professor a partir do desempenho da turma como um todo. Não importa se há alunos em diferentes níveis de maturação, todos precisam se adequar à média que é estipulada.  

3. O ambiente de aprendizagem

As salas de aula montessorianas são organizadas segundo os direcionamentos e modelos deixados por Maria Montessori. Para a educadora, as crianças precisavam ser livres para se movimentar, interagir com seus colegas e com os recursos disponibilizados. É nessa dinâmica que os pequenos aprendem a ter iniciativa, a colaborar, a se autodisciplinar e a construir seu conhecimento.

Esses ambientes são interativos, com espaços para atividades em grupo e individuais. Nele, todos os materiais ficam organizados em prateleiras baixas  — para que as crianças tenham acesso sem a interferência de um adulto —, evoluindo do mais simples ao mais complexo, ou do mais concreto ao mais abstrato.Tudo nesse ambiente é pensado e organizado para estimular o aluno a se entender e a se auto-educar.

No ensino regular, as salas de aula são organizadas de acordo com a seguinte hierarquia: o professor ocupa o ponto central, já que é dele que o conhecimento emana; ao passo que os aprendizes ocupam uma posição abaixo, pois são os espectadores. As crianças ficam de frente para o professor porque dependem o tempo todo de suas palavras e de suas iniciativas.

Na educação infantil, os espaços são também padronizados, assim como os materiais didáticos, que estimulam a absorção do conhecimento exclusivamente pela visão, leitura e desenho.  

4. O papel do professor

Além das diferenças na organização das salas de aula, outro diferencial da escola montessoriana é a função do educador. O educador é, ao mesmo tempo, um guia e um grande observador; ele percebe as necessidades dos alunos e está sempre disponível para auxiliá-los, sem, no entanto, fazer as atividades em seu lugar ou ditar seu ritmo.

Ele encapsula os preceitos de Maria Montessori e sabe que o conhecimento deve ser construído pela criança, pouco a pouco. Assim, respeita o desenvolvimento de cada aluno.   

Na educação tradicional, como já mencionamos, o conhecimento provém exclusivamente do professor, que o transfere por meio de aulas clássicas ou expositivas. Há mais monólogo do que, de fato, aprendizagem. Ele é o mantenedor do processo educativo.   

Vale dizer que, no ensino regular, há a aplicação de trabalhos e avaliações para medir se os alunos memorizaram uma quantidade suficiente de informações normativas. Já na metodologia montessoriana, o processo avaliativo é progressivo e holístico, ou seja, todas as tarefas e atividades desenvolvidas são avaliadas e não há provas pontuais.

Como você pôde perceber, a escola montessoriana se destaca em relação ao ensino tradicional porque se concentra em fornecer os subsídios adequados para que cada criança se desenvolva natural e intuitivamente. Na educação defendida por Montessori, a criança é a protagonista de sua aprendizagem, e não uma espectadora.

Conhece alguém que pode se interessar pelos princípios montessorianos? Então compartilhe nosso artigo em seu Facebook e incentive outros a refletirem sobre a educação!

6 Comentários


    1. Olá Mariana! A Escola Infantil Montessori é supervisionada pela Professora Talita de Almeida, certificada pela AMI e fundadora da Associação Brasileira de Educação Montessoriana. A ABEM é reconhecida internacionalmente como centro de capacitação e certificação de escolas e profissionais do método Montessori. Para saber mais sobre a escola, entre em contato conosco: (31) 3657-2942, (31) 99724-2421 ou contato@escolainfantilmontessori.com.br!

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  1. Olá, meu nome é Thainá, estou cursando Pedagogia e o meu TCC é sobre a Maria Montessori e sua metodologia! Gostaria de saber que são os autores dos E-books e do site para eu poder usar como referência?

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    1. Olá, Thainá! Tudo bem com você?
      Fico feliz que esteja gostando dos nossos eBooks.
      Nossos conteúdos são criados em co-writing com vários redatores. Todos eles escrevem em nome da instituição!
      Espero ter ajudado!

      Responder

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