Como se desenvolve o cérebro de uma criança?

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Aqueles que trabalham com o método Montessori percebem os efeitos positivos desta metodologia diariamente. No cotidiano, os educadores observam como as habilidades motoras das crianças são fortalecidas, suas habilidades de raciocínio se tornam aguçadas e sua independência é constantemente estimulada pela interação diária com o ambiente.

Mas, podemos observar tudo isso e simplesmente não saber como o método Montessori alcança tais resultados. Seria apenas um feliz golpe de sorte que faz com que a metodologia Montessoriana promova o desenvolvimento do cérebro?

É mais do que apenas uma simples coincidência. O neuropsicólogo pediátrico, Steve Hughes, acredita que o método Montessori desencadeia funções cerebrais específicas que auxiliam muito o desenvolvimento cognitivo. Na verdade, ele se refere ao Montessori como “o método original de aprendizagem baseado no cérebro.

Em pesquisas posteriores, descobriu-se que os primeiros seis anos de vida são significativos para o cérebro se desenvolver completamente. Há novas pesquisas que coincidem com a descoberta de que a fundação de estruturas neurais nos lobos frontais do cérebro humano não está totalmente desenvolvida até aproximadamente os vinte e quatro anos de idade. Isso indica que o cérebro se desenvolve continuamente e que adultos e pais podem fazer algo para tornar essa experiência positiva. Para atingir este potencial pleno, o ser humano precisa de interação com o ambiente e experiências sensoriais.

Portanto, agora a questão é “como podemos ajudar as crianças a alcançar o potencial máximo do desenvolvimento do cérebro?” A educação Montessoriana propõe alguns fatores importantes para o ambiente educacional, mencionando ser importante:

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  • que estimule todos os sentidos;
  • que tenha uma atmosfera livre de estresse;
  • que seja agradável e desafiador;
  • que permita a interação social;
  • que contemple uma dieta nutritiva;
  • que promova o desenvolvimento e dê à criança uma chance de avaliar os resultados de suas ações, sendo um participante ativo, em vez de um observador passivo.

Essa ideia se reflete no que Montessori percebe como um ambiente preparado e se relaciona com o fato de que o cérebro vem equipado para adquirir habilidades como a linguagem, porém, todo o seu crescimento e mudanças são provocados por estímulos externos.

Maria Montessori constatou em suas observações que na infância ocorriam períodos sensíveis para o aprendizado. Nestas fases evolutivas as crianças apresentam grande potencial de aprendizagem, razão pela qual a educação é essencial. Sendo assim, Montessori propunha que crianças com idade entre 0 e 11 anos devem explorar o ambiente ao seu redor com a maior autonomia possível. A autora acredita que o ambiente da criança deve ser um “microcosmo infantil”, os móveis de tamanho apropriado para as crianças, brinquedos que possibilitem o desenvolvimento cognitivo e a exploração dos sentidos.

No método Montessoriano, as mãos funcionam como instrumentos do cérebro:

“Com as mãos o ser humano concebe o seu entorno. Elas são as ferramentas executoras da inteligência. As mãos são criativas, podem produzir coisas. Os órgãos sensoriais e a capacidade de coordenação se desenvolvem através das atividades manuais”, considera Maria Montessori.

O que acontece é que o cérebro utiliza de recursos para o processamento dos estímulos sensoriais e as mãos são de extrema importância para o desenvolvimento infantil.

Mas, com base nas observações de Montessori, quais são as reais necessidades de uma criança ao longo de seus primeiros seis anos de vida?

É preciso considerar que nesta fase os diferentes aspectos do desenvolvimento intelectual, emocional e social da criança estão interligados. Por isso, o cérebro da criança se potencializa diante dos sentimentos de amor, segurança e proteção. Quando a criança recebe carinho e tem uma infância confortável, ela lida melhor com as situações de estresse na vida adulta.

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Atividades sensoriais que trabalham a visão, o tato, o paladar, o olfato, a audição e os movimentos, são capazes de estimular as células nervosas, construindo conexões permanentes. E a neurociência confirma que as atividades físicas potencializam a memória e o aprendizado, pois reforçam a produção de células no hipocampo.

Aulas de musicalização, leitura e todas as atividades que envolvem enriquecimento de vocabulário também são extremamente importantes, pois quanto maior for o vocabulário da criança, melhor será seu desenvolvimento na escola. É importante que os pais e educadores estejam atentos aos sinais da criança, seu ritmo de desenvolvimento, seu estado de espírito, e saibam que embora o desenvolvimento cerebral seja previsível, cada criança é única e merece atenção.

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