Montessori e música: como se relacionam no ensino

Tempo de leitura: 6 minutos

Antes de começarmos a explorar a relação que existe entre Montessori e música, vamos relembrar dois princípios da metodologia que é a razão deste blog existir:  Educação cósmica e Criança equilibrada.

Você  se recorda de que a escola, tal qual concebida por Maria Montessori, busca criar uma relação harmônica entre o aluno, a natureza e a sociedade da qual ele faz parte? Em uma escola Montessori, a educação é entendida e feita de forma holística, ou seja, não prezamos apenas pelo desenvolvimento intelectual, mas também pelo motor, emocional, social e pessoal. Essa visão (e prática) integral da educação resulta em uma criança equilibrada, empática e feliz.

De que forma a música entra nessa dinâmica? Como ela pode contribuir para o desenvolvimento holístico de seu filho?

É o que você verá a seguir. Boa leitura!

A música na história da humanidade

A música é tão onipresente em nossa vida quanto a própria linguagem. Diferentes timbres, melodias e ritmos acompanham nossa espécie, homo sapiens, desde os seus primórdios.

Hoje, a música tem um potencial enorme de mexer com as emoções humanas. Ela pode nos deixar feliz, pode nos ajudar a relaxar, a ficar acordados e concentrados, a cantar, a dançar, e até nos confortar em momentos de tristeza. Não é a toa que todos os grandes filmes vêm acompanhados por belíssimas trilhas sonoras.

Assim, citamos Stevie Wonder ao afirmarmos que a música “é um mundo em si mesma, com uma linguagem que todos entendemos!”

O papel da música no desenvolvimento infantil

Talvez você já tenha se dado conta de tudo isso, mas ainda não compreenda seu papel no desenvolvimento infantil.

O fato é que, embora nosso cérebro não tenha uma área musical, propriamente dita, ouvir e praticar música aciona uma gama de regiões e habilidades interpretativas.

Portanto, a música estimula uma percepção mais ampla do mundo.

Estudos provam que todos os estímulos sonoros que recebemos, desde a mais tenra idade, impactam regiões do cérebro ligadas à memorização, à linguagem e até ao raciocínio matemático.

Essas investigações apontam para uma relação significativa entre os estímulos musicais e o desenvolvimento da percepção espacial e capacidade de concentração.

Desde a gestação, estímulos musicais impactam o bem-estar do bebê e favorecem o desenvolvimento cognitivo. Contudo, é preciso cuidar na hora de selecionar o estilo, justamente porque cada ritmo e cadência pode ter um efeito específico.

Música clássica e instrumental, por exemplo, tendem a ser ótimos estímulos para o relaxamento e a sensação de paz e plenitude.

A música como um ritual simbólico

Você já percebeu que as crianças respondem à música de forma concreta, diferente dos adultos, que são mais predispostos a abstrações?

É porque para os pequenos, o corpo é o único instrumento por meio do qual interagir com os sons de um ambiente. Seja chorando, no caso de um bebê que está incomodado, seja dançando e até batendo palmas; as crianças reagem à música fisicamente.

Em uma sala de aula, os alunos vão responder a uma música movimentando-se, cantando junto, encenando e até tocando “instrumentos imaginários”. Elas experimentam a música de forma concreta, e, por meio dessa experiência concreta, vão descobrindo a si mesmas, seus interesses e limites.

Além disso, a música pode ser utilizada de forma a simbolizar rituais ou transições na vida da criança, pois estimula certos padrões comportamentais. Por exemplo, se você colocar uma música animada todas as manhãs, seu filho vai associar esse estímulo ao ato de acordar e começar o dia. O mesmo vale para músicas relaxantes para dormir; a criança passa a associar um ritmo a um comportamento esperado.

Montessori e música

Maria Montessori percebeu o potencial que a música tem para a aprendizagem e incorporou uma gama de atividades e estímulos sonoros em sua metodologia.

O objetivo é ampliar a percepção infantil acerca do mundo, estimular a descoberta do próprio corpo e de seus movimentos e potencializar o desenvolvimento cognitivo.

Se o adulto é capaz de abstrair, como mencionamos anteriormente, é porque aprendeu a fazê-lo, porque amadureceu seus processos cognitivos. Os estímulos sonoros e a vocalização ajudam nesse amadurecimento. Por meio da experimentação concreta da música, a criança vai desenvolvendo, aos poucos, os instrumentos para compreendê-la de forma mais abstrata, intelectualmente.

Com a percepção e a resposta à duração, altura, intensidade e timbre, a criança vai desenvolvendo a própria linguagem, e compreendendo as maneiras de representar o mundo por meio dela.

O que acontece com atividades musicais em uma escola Montessori é que os alunos amadurecem seu intelecto sensorialmente.

Portanto, ouvir música, encenar e cantar são atividades comuns no dia a dia de uma sala de aula montessoriana. Os benefícios para a aprendizagem dos pequenos é tangível: percepção do próprio ritmo respiratório, da harmonia entre som e movimento, das palavras e do tempo, além de maior capacidade de concentração.

A externalização das emoções

Mais tarde, esse desenvolvimento proporcionado pela interação com os estímulos sonoros, possibilitará às crianças a expressão de suas emoções.

É na infância que aprendemos a dar nome para os sentimentos e sensações que nosso corpo e mente encapsula. O ideal é que aprendamos a lidar com eles à medida que amadurecemos, a fim de que nos tornemos adultos bem-resolvidos em relação às nossas questões internas. Contudo, nem todos têm ou tiveram a oportunidade de exercitar esse diálogo interno quando criança, o que acarreta em problemas na vida adulta.

A música atua como um canal por meio do qual os pequenos compartilham o que estão sentindo: alegria, angústia, insegurança, empolgação etc. O contato com a música, seja ouvindo ou praticando, dá a eles as ferramentas para externalizar o que quer que estejam sentido.

Nesse sentido, a música atua como uma válvula de escape, dando ferramentas para que a criança aprenda a lidar com o que está dentro dela.

A música na Educação cósmica

Para Maria Montessori, a música abria as portas do coração e tinha a capacidade de elevar o espírito. Não é surpresa, portanto, que os estímulos sonoros sejam tão valorizados na metodologia Montessori quanto os visuais.

Montessori e música têm uma relação de proximidade, justamente porque a idealizadora do método percebeu o efeito benéfico que os sons exerciam sobre a aprendizagem infantil. Assim, afirmamos que a música é essencial para uma Educação cósmica , holística e natural, o que, por sua vez, favorece o desenvolvimento de uma criança equilibrada e feliz.

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